Aula Rápida · Emergência / Cirurgia

Caso Clínico: Fratura de Mandíbula em Cão

MandíbulaCãesEmergência
02:34 / 08:12
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Conduta

Passo a passo do atendimento

Diante de um paciente com suspeita de fratura mandibular, a conduta segue uma sequência lógica, da primeira avaliação até a definição do tratamento.

1
Anamnese e histórico
Levantar a queixa do tutor, o mecanismo do trauma e a evolução dos sinais desde o ocorrido.
2
Exame físico
Avaliação completa do paciente, com atenção especial à cavidade oral, simetria da face, dor e mobilidade anormal da mandíbula.
3
Exames hematológicos
Hemograma e bioquímica para avaliar as condições gerais do paciente antes de sedação e cirurgia.
4
Eletrocardiograma
Triagem cardíaca, principalmente em pacientes politraumatizados ou idosos, antes do procedimento anestésico.
5
Sedação e avaliação minuciosa
Com o paciente sedado, realiza-se o exame oral detalhado sem dor e sem risco para a equipe.
6
Raio-x anestesiado
Radiografias do crânio com o paciente anestesiado, garantindo posicionamento correto e segurança das vias aéreas.
7
Definição da conduta terapêutica
Com todos os dados em mãos, define-se o tratamento: conservador ou cirúrgico, conforme o tipo e a estabilidade da fratura.
Diagnóstico por imagem

Raio-x com o paciente anestesiado

O raio-x anestesiado é essencial: permite posicionar o crânio sem estresse, obter projeções de qualidade e mapear todos os traços de fratura antes da decisão cirúrgica.

Sempre realize mais de uma projeção: fraturas mandibulares podem passar despercebidas em uma única incidência.

Biomecânica

As forças que atuam sobre a fratura

Entender as forças que atuam no foco de fratura é a base para escolher o método de fixação. Na fratura mandibular, três forças principais estão envolvidas:

  • Força de flexão (bending force) sobre a fratura.
  • Força da musculatura mastigatória, que desloca os fragmentos.
  • Forças ao longo da linha de fratura, que podem comprimir ou separar os fragmentos.

Conforme a direção da linha de fratura em relação a essas forças, a fratura é classificada como favorável (as forças aproximam os fragmentos) ou desfavorável (as forças os separam), o que muda completamente a exigência de estabilização.

Fonte: Scott (1998).

Opções de fixação

Métodos de estabilização da mandíbula

A escolha do implante depende do local, do tipo e da estabilidade da fratura, sempre respeitando raízes dentárias, vasos e nervos da região.

Principais métodos
  • Cerclagens e fios interdentários.
  • Fixador esquelético externo.
  • Placas e parafusos ósseos.
  • Associações entre métodos conforme o caso.
Na hora de fixar
  • Neutralizar as forças de flexão e da musculatura mastigatória.
  • Respeitar a oclusão dentária durante a redução.
  • Evitar raízes dentárias e o canal mandibular.
  • Buscar estabilidade suficiente para consolidação e função precoce.
Quando a fixação não é viável
  • Em casos de doença periodontal grave, mobilidade dentária excessiva ou contaminação óssea associada à fratura, a osteossíntese perde indicação.
  • Nesses cenários, a conduta indicada é a mandibulectomia (parcial ou segmentar), com retirada do segmento mandibular comprometido.
  • A decisão depende das condições de cada paciente — não existe técnica universal para toda fratura mandibular.

Fontes: Brinker, Piermattei e Flo (2016); Verstraete e Lommer (2012).

Anestesia

Anestesia e preparo do paciente

Com a avaliação pré-anestésica concluída (exames hematológicos e eletrocardiograma), o paciente é induzido, intubado e monitorado para o procedimento cirúrgico.

  • Intubação e monitoração multiparamétrica durante todo o procedimento.
  • Analgesia multimodal iniciada já no transoperatório.
  • Antissepsia e posicionamento cuidadoso da região mandibular.
Cirurgia

Técnica cirúrgica: mandibulectomia

Neste caso, os dentes apresentavam doença periodontal intensa e mobilidade excessiva, com grau importante de contaminação associado à fratura. Por isso, a osteossíntese não era viável e optou-se pela mandibulectomia segmentar — a retirada do segmento mandibular comprometido.

Essa escolha foi baseada nas condições deste paciente e não representa um protocolo único para todos os casos de fratura mandibular.

1
Incisão gengival elíptica
Incisão em formato elíptico na gengiva, circundando a lesãoe os dentes comprometidos.
2
Descolamento da gengiva
Afastar a gengiva das faces lingual e vestibular, expondo o segmento ósseo a ser removido.
3
Osteotomia e retirada do segmento
Secção óssea e remoção cuidadosa do segmento mandibular comprometido, incluindo os dentes com doença periodontal.
4
Hemostasia
Ligadura dos vasos que possam estar sangrando no leito cirúrgico.
5
Síntese da cavidade oral
Sutura da cavidade oral, restabelecendo a integridade da mucosa e o contorno da arcada.
Peça cirúrgica

Segmento mandibular removido e síntese

O segmento mandibular removido, com os dentes associados, evidencia a extensão da lesão e a doença periodontal que contraindicou a osteossíntese. Após a remoção e a hemostasia, a mucosa é suturada.

Pós-operatório

Cuidados após a cirurgia

1
Internação
Acompanhamento do paciente internado nas primeiras horas de recuperação.
2
Controle de dor
Analgesia contínua, fundamental para o bem-estar e para o retorno da alimentação.
3
Antibioticoterapia
Antibiótico devido à comunicação com a cavidade oral e ao risco de contaminação.
4
Alimentação
Alimentação líquida por 7 dias e, em seguida, pastosa até completar 15 dias.
Conclusão

Mensagens para levar da aula

  • Siga o passo a passo: anamnese, exame físico, exames hematológicos, ECG, sedação, raio-x anestesiado e só então a conduta.
  • O raio-x anestesiado, com mais de uma projeção, é a base do diagnóstico e do planejamento.
  • Entenda as forças sobre a fratura (flexão, musculatura mastigatória e linha de fratura) antes de escolher a conduta.
  • Quando a fixação não é viável — doença periodontal grave, mobilidade dentária excessiva ou contaminação óssea — a mandibulectomia é a conduta indicada.
  • A escolha da técnica cirúrgica deve ser individualizada: neste caso, mandibulectomia devido à doença periodontal e à contaminação; não é um protocolo único para todos os casos.
  • Pós-operatório com internação, controle de dor, antibiótico e dieta líquida por 7 dias, pastosa até 15 dias.
Estabilize o paciente antes de qualquer abordagem definitiva da mandíbula.
Triagem anestésica com exames hematológicos e eletrocardiograma.
Dieta e controle de dor fazem parte do tratamento, não são detalhes.
Reavalie a oclusão e a cicatrização nos retornos.
Avaliação

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