O que é cinomose canina
A cinomose canina é uma doença viral altamente contagiosa, com significativas taxas de mortalidade em indivíduos de espécies sensíveis não expostos previamente e/ou não vacinados.
O agente da cinomose
- Família: Paramyxoviridae.
- Gênero: Morbillivirus.
- Vírus RNA fita simples, envelopado, semelhante ao vírus do sarampo humano.
- Proteínas de superfície permitem ligação com células do sistema imune.
América-1 (vacinas), América-2, Ártico, Ásia-1, Ásia-2, Europa e Europa-selvagem, África do Sul, América do Sul-1 e América do Sul-2.
Como o vírus se instala
- Acomete canídeos, grandes felídeos, furões, focas, gambás, botos e ursos.
- Causa imunossupressão no animal acometido.
- Infecções secundárias comuns: toxoplasmose, neosporose, salmonelose, piodermites bacterianas.
Manifestações multissistêmicas
- Febre.
- Linfadenomegalia.
- Esplenomegalia.
- Hiporexia, prostração e apatia.
- Secreção nasal mucopurulenta.
- Tosse e dispneia.
- Estertores e sibilos à auscultação.
- KCS (ceratoconjuntivite seca).
- Secreção mucopurulenta.
- Neurite óptica com cegueira súbita.
- Degeneração, necrose e deslocamento de retina.
- Anorexia/hiporexia.
- Vômito e diarreia.
- Intussuscepção.
- Desidratação e emaciação.
Sinais odontológicos
Hipoplasia de esmalte em animais adultos infectados quando jovens, decorrente da infecção de odontoblastos.
Sinais dermatológicos
Dermatite vesicular e hiperqueratose de coxins e focinho.
Quando o SNC entra em cena
Os sinais neurológicos surgem 1 a 3 semanas após a recuperação da doença sistêmica, são progressivos e indicam pior prognóstico. Ocorrem em animais com pouca ou nenhuma resposta de anticorpos.
- Encefalite viral.
- Desmielinização aguda - infecção de astrócitos, oligodendrócitos e neurônios.
- Desmielinização crônica - mecanismos imunomediados.
- Hiperestesia e rigidez cervical (meningite).
- Crises epilépticas generalizadas ou focais.
- Síndromes vestibulares e cerebelares.
- Paresia/paralisia, ataxia e mioclonias.
Como fechar o diagnóstico
Clínica compatível + ELISA/sorologia + hemograma e líquor
O diagnóstico integra histórico vacinal e de contato, sinais clínicos multissistêmicos, hemograma (linfopenia, trombocitopenia e corpúsculos de Lentz), análise de líquor (pleocitose e hiperproteinemia na encefalite), ELISA em secreção nasal/conjuntival, soro, plasma ou urina, e sorologia (IgG e IgM) para estadiamento.
- Infecção recente.
- Infecção passada.
- Vacinação passada.
- Teste de escolha para avaliar o nível de proteção contra a infecção.
- Infecção recente (até 3 meses).
- Vacinação recente.
Atenção: animais soropositivos devem ser afastados de animais sadios.
Suporte, não antiviral específico
Não existem medidas terapêuticas diretas contra o vírus. O tratamento é inespecífico e de suporte, com foco em hidratação, controle das infecções secundárias e manejo dos sinais neurológicos.
- Hidratação (fluidoterapia).
- Vitamina B - reposição pela hiporexia.
- Antibioticoterapia para infecção secundária.
- Nutrição e controle do vômito.
- Antiepilépticos - fenobarbital / brometo de potássio para crises.
- Vitamina E (5-10 mg/kg SID) - antioxidante contra danos por radicais livres.
- Vitamina A (10.000 UI/kg SID) - abrandamento dos sinais e possível recuperação.
Vacinar é a chave
A vacinação é a melhor forma de prevenção contra a cinomose. Mantenha o protocolo vacinal em dia desde a fase de filhote e nos reforços anuais.
- Desinfecção do ambiente sempre que houver caso suspeito ou confirmado.
- O agente é destruído por desinfetantes simples, calor, raios UV e antioxidantes.
- Isolamento de animais soropositivos ou sintomáticos.
Mensagens para levar da aula
- Suspeite de cinomose em qualquer cão não vacinado com quadro multissistêmico febril.
- Investigue sinais neurológicos tardios - eles pioram o prognóstico.
- O diagnóstico integra clínica, hemograma, líquor e sorologia IgG/IgM.
- Não há antiviral específico - o suporte precoce salva vidas.
- Vacinação e desinfecção ambiental são a principal barreira de controle.
