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Caso clínico
Lesão de cauda com indicação de amputação
Cão atendido em urgência com lesão na porção distal da cauda: ferimento aberto e sangramento persistente. Diante da extensão do dano tecidual, a conduta indicada é a caudectomia (amputação da cauda na região lesada).
Manejo emergencial
Estabilizar antes de operar
Tratamento medicamentoso
- Analgesia opioides: metadona.
- Antibioticoterapia: clindamicina.
- Anti-inflamatório conforme avaliação clínica.
Exames complementares
- Exames hematológicos: hemograma e perfil bioquímico antes da anestesia.
- Eletrocardiograma.
- Avaliação cardiovascular completa orienta a triagem anestésica.
Preparo do paciente
Sedação, assepsia e tricotomia
Com o paciente estável, segue-se a sedação ambulatorial e a preparação do campo operatório:
- Sedação: acepromazina associada a opioide (metadona).
- Indução anestésica: propofol.
- Tricotomia ampla da região da cauda e base.
- Limpeza da região com solução fisiológica 0,9%.
Planejamento cirúrgico
O planejamento da caudectomia define nível de amputação, método de hemostasia e forma de fechamento. No caso:
- Retirar a última vértebra envolvida pela lesão.
- Reduzir o tecido subcutâneo para permitir fechamento sem tensão.
- Suturar a pele com nylon em pontos separados.
- Antissepsia final com solução de clorexidina.
Técnica cirúrgica
Passo a passo da caudectomia
1
Incisão em V
Criar retalhos de pele dorsal e ventral sobre o nível de amputação planejado, formando um retalho em V que cobrirá o coto.
2
Identificar os vasos
Localizar os vasos laterais da cauda e realizar hemostasia com ligadura antes da secção, evitando sangramento excessivo.
3
Identificar o espaço vertebral
Definir o espaço intervertebral a ser desarticulado, correspondente à última vértebra incluída na ressecção.
4
Desarticular a cauda distal
Com a lâmina de bisturi, desarticular a cauda distal no espaço identificado, seccionando os tecidos moles até liberar o segmento.
5
Sutura do subcutâneo
Aproximar o subcutâneo com pontos simples separados, cobrindo o coto ósseo e reduzindo o espaço morto.
6
Dermorrafia
Fechar a pele com nylon em pontos separados, adaptando os retalhos dorsal e ventral sem tensão.
Fechamento
A qualidade do fechamento define a evolução do coto: cobertura óssea pelo subcutâneo, ausência de tensão na linha de sutura e adaptação dos retalhos em V.
Pós-operatório
Protocolo medicamentoso
- Analgesia: cloridrato de tramadol.
- Anti-inflamatório: meloxicam 0,1 mg/kg (uso oral, específico para cães).
- Antibioticoterapia: cloridrato de clindamicina.
- Pomada antisséptica, epitelizante e cicatrizante na região.
Manejo local
- Bandagem no coto para evitar lambedura e trauma.
- Conferir a bandagem e a ferida em reavaliações seriadas.
- Impedir o acesso do animal à sutura (colar elisabetano se necessário).
- Retirada dos pontos conforme cicatrização, em 10 a 14 dias.
Manter o coto limpo e protegido até a retirada completa dos pontos é o que evita deiscência e automutilação.
Resumo
- Caudectomia é a amputação da cauda indicada em lesões extensas, desvitalização e ferimentos que não respondem ao tratamento conservador.
- Estabilize primeiro: analgesia opioides, antibioticoterapia, exames hematológicos e ECG na triagem anestésica.
- Se indicado para o animal: sedação com acepromazina + opioide e indução com propofol.
- Planejamento: retirar a última vértebra envolvida, reduzir o subcutâneo e fechar com nylon em pontos separados.
- Técnica: incisão em V, ligadura dos vasos laterais, desarticulação com lâmina de bisturi, subcutâneo e dermorrafia.
- Pós: controle da dor, anti-inflamatório, atibiótico, pomada cicatrizante e bandagem de proteção até a retirada dos pontos.
Hemostasia e fechamento sem tensão são os dois pilares de uma caudectomia sem complicações.
